[Com passos leves e intensos... forma-se uma colcha de histórias]

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Sintam-se.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A falta de um tempo pra mim se resume no silêncio deste blog. Quer voltar dividindo com vocês este poema do Ricardo Azevedo.

AULA DE LEITURA


A leitura é muito mais
do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender

vai ler nas folhas do chão
se é outono ou verão;
nas ondas soltas do mar
se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa
se trabalha ou se é à-toa
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou se vai lento;

e também no calor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,

e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens no céu,
vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas,
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos tem segredos
difíceis de decifrar

VOLTEI... AGORA PRA FICAR... rs

1 Rabiscos, devaneios, anseios:

Dilberto L. Rosa disse...

Bonitinho mesmo: a perenidade das rimas lembra poemas voltados para crianças - dever-se-ia valorizar mais este tipo de Literatura, valorizando, assim, a criança que descobre o prazer de ler... Meu abraço! E, uma vez que estás de volta, volta aos Morcegos também!